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Onde estão as minhas memórias?

20 de agosto de 2021

Resenha do artigo “Memória” de Carlos Alberto Mourão Júnior e Nicole Costa Faria (2015).

O processo de aprendizagem pode ser fácil, moderado, difícil e, às vezes, considerado impossível. Até mesmo ler um artigo pode parecer exigente, já começado pelo tema do trabalho. No entanto, o que está atrelado e pode interferir nesse processo? Especificamente dentro da temática: a memória. É de conhecimento geral que a memória pode garantir a aprovação num concurso ou matéria de faculdade, ser ela sinônima de inteligência, proporcionar emoções através das rememorações, dentre outras coisas. Porém, quais os seus conceitos e implicações?

O artigo “Memória” aborda paulatinamente sobre a conceituação, caracterização, localização, implicação e função das memórias. Conceitua a memória por etapas interpeladas, tais quais: aquisição, armazenamento (dependendo de qual for) e evocação. Caracteriza-a como de trabalho, curta e longa, dependentes de suas respectivas funções. Destaca sua implicação na identidade, aprendizado e outras situações do desenvolvimento da vida e da subjetividade humana, psicológica ou biologicamente. E, ainda, menciona suas funções corticais executivas.

O autor relata ser a repetição, ou seja, o reforço da ativação neural de uma informação recebida, a função que estabelece a retenção dessa mesma informação e, portanto, tê-la como memória. Esse reforço não só solidifica a informação como também facilita sua evocação, mas vale ressaltar que, sendo a vida um constante e plural relacionamento de informações externas e internas, há modificações que vão desde a morfologia às funcionais, pois ocorrem fenômenos bioquímicos em todo esse processo que podem formar novas espinhas dendríticas e prolongamentos axonais novos.

Baseando-se nessas estruturas e mecanismos, as memórias são divididas em sensorial ou imediata, primário ou de curto prazo, secundária ou de lO autor ainda traz que a memória está e pode ser correlacionada à neuroplasticidade, onde as modificações já foram mencionadas. É clara a complexidade das regiões do cérebro e a rede de neurônios envolvidos com a memória e demonstra sua ramificada localização. Porém, conforme o artigo é sabido que os processos de evocação e armazenamento se diferem quanto às regiões responsáveis, evidenciando essa difusa localização. Além disso, a recuperação de uma informação não depende somente do armazenamento da mesma, mas também de “como” a organização dessa informação foi realizada.

Nesse contexto, apresentam-se as memórias sensoriais (curtíssima duração – elétrica), memória de trabalho (ultrarrápida – envolvida com a dopamina) e memória de longo prazo (durável por horas, dias ou mais de anos). Essas memórias estão arranjadas em declarativas (interfere na percepção do mundo), não declarativas (interações motoras e condicionadas com o mundo), esquecida e extinta (latente). Envolvem-se nelas a atenção, a motivação, o nível de estresse, o estado emocional, o contexto ambiental para haver consolidação da memória.

A memória vai muito além de uma simples caixa de lembranças de eventos vividos visualmente. Ela se compreende numa complexidade tal qual a rede de bilhões de neurônios, exigindo um estudo fragmentado, mas complementar, tendendo para a hierarquização dos processos da mesma. Ou seja, sua aquisição, armazenamento, evocação, localização, função e afins. De forma educativa e didática, o autor vai delineando sobre o tema a fim de se fazer entender por todo o tipo de público, mas se direcionando aos que têm um mínimo de compreensão de neurociência e anatomia.

DEFININDO CONCEITOS IMPORTANTES:

  • Informação: qualquer evento passível de ser processado pelo sistema nervoso.
  • Neuroplasticidade: capacidade que o cérebro tem de se modificar diante de pressões (estímulos) do ambiente.
  • Espinhas dendríticas: pequenas protrusões que emergem dos troncos dendríticos de certos neurônios nos locais onde ocorre uma nova sinapse.
  • Prolongamentos axonais: prolongamento longo e fino que se origina do corpo celular em região denominada cone de implantação.

Referências Bibliográficas

JÚNIOR, Carlos Alberto Mourão; FARIA, Nicole Costa. Memória. Psicologia: Reflexão e Crítica. [online], 2015. Vol. 28, No. 4, p. 780-788.

LENTE, Roberto. Cem bilhões de neurônios?: conceitos fundamentais de neurociências. 2. Ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2010.

MACHADO, Angelo. Neuroanatomia Funcional. 2. Ed. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2005.

Ficha Técnica

Texto da resenha: Ramon Santiago do Nascimento

Edição e revisão técnica: Danielle Paes Branco

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