HomeNeurociênciaA aprendizagem traz mudanças?

A aprendizagem traz mudanças?

19 de agosto de 2022

Resenha do artigo “Plasticidade Neural, um caminho para a aprendizagem: breve análise” de Aline dos Santos, Liliane Musumeci, Marta Martins e Pedro Carlos (2021).

Em geral, quando se busca entender o processo da aprendizagem, é dada exclusividade aos pressupostos, envolvimentos e relações externos aos sujeitos. No entanto, será que esse pensamento é de todo completo? Com o advento das neurociências, muitas compreensões acerca dos sistemas intrínsecos aos seres têm sido clarificadas, além de estar concedendo respostas mais sólidas sobre diferentes enfoques nos estudos sobre aprendizagem. As alterações neurais após as experiências e os envolvimentos dos organismos coloca em destaque a questão de ser isso o genitor da aprendizagem. Será mesmo?

O artigo “Plasticidade neural, um caminho para a aprendizagem – breve análise” apresenta as concepções da plasticidade neural levantadas pela neurociência, onde associa às mudanças neurais advindas das mudanças no ambiente, modificando-se mutuamente para melhor adaptar os organismos aos eventos postos. Essa plasticidade tem sido muito debatida na literatura, ratificando-se através de estudos experimentais e de imagem que testemunham modificações estruturais na arquitetura entre a comunicação dos neurônios, pois é nesse local, a sinapse, onde ocorre a transferência de informações.

Ainda, os autores evidenciam que essas modificações dadas pela plasticidade neural podem ir desde o nível metabólico às alterações de uma rede, ou seja, morfológicas. E, nesse contexto, as abordagens de estudo para esse tópico variam bastante, mas que, todas, conectam-se em algum ponto como no caso da Psicologia, Biologia e Farmácia. Não menos importante, a introdução e união de outras áreas tem dado contribuição para a aplicação desses conhecimentos teóricos sobre as transformações neurais pelas experiências em que os organismos se colocam, tal é o caso da Pedagogia.

Para as questões de aprendizagem, o cérebro é o centro do debate levantado pelo artigo. Logo, ele presentifica a literatura acerca da plasticidade neural com o objetivo de elucidar a contribuição disso na aprendizagem. E, por meio disso, o desenvolvimento normal do cérebro é trazido à tona para entender melhor sobre ela, pois, como mencionado no artigo, a aprendizagem se imbrica nas estimulações constantes dos ambientes interno VS externo.

Essas estimulações variam em grande medida, pois os sujeitos são bombardeados de todos os lados por cenários que incitam ativações orgânicas.

Logo, os autores salientam que tanto os fatores externos, sendo familiares, laços sociais, escola, como os internos, por exemplo, a genética, podem representar caminhos que levam à plasticidade neural e, consequentemente, aprendizagens de diferentes ordens. Depreende-se, então, que a aprendizagem tem uma contribuição diversa, mas, em suma, a plasticidade neural se coloca como ponto exímio, trazendo aberturas para mais possibilidades de transformações nos sujeitos. Nesse sentido, o conhecimento trazido pelas neurociências, como citam os autores, fornecem bases ao desenvolvimento de metodologias educacionais.

A leitura do artigo se demonstra útil e fácil, direcionando-se não só aos graduandos, mas também ao público em geral. Com uma escrita compreensível, os autores centralizam o tema e tornam o artigo bem objetivo, diretivo e resumido, descrevendo os conceitos e chegando às conclusões pelas conexões entre as terminologias.

Definindo Conceitos Importantes

Plasticidade: A capacidade de adaptação do sistema nervoso, especialmente a dos neurônios, às mudanças nas condições do ambiente que ocorrem no dia a dia da vida dos indivíduos […].

Sinapse: Na realidade, sinapse é o local de passagem de informação de um neurônio para outra célula, por meio de um mecanismo específico de transmissão. 

Aprendizagem: é consequência de uma facilitação da passagem da informação ao longo das sinapses. […] É fruto de modificações químicas e estruturais no sistema nervoso de cada um, que exigem energia e tempo para se manifestar.

Referências Bibliográficas

CARVALHO, Aline dos Santos Moreira de; FERREIRA, Liliane Musumeci; OLIVEIRA, Marta Martins de; PEREIRA, Pedro Carlos. Plasticidade Neural, um caminho para a aprendizagem: breve análise. Research, Society and development. Vol. 10, No. 16. [meio digital], 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/24103

CORTEZ, Célia Martins; SILVA, Dilson. Fisiologia aplicada à psicologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

COSENZA, Ramon M.; GUERRA, Leonor B. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

LENT, Roberto. Cem bilhões de neurônios? :Conceitos fundamentais de Neurociência. 2. Ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2010.

Ficha Técnica

Texto da resenha: Ramon Santiago do Nascimento

Edição e revisão técnica: Luã Teixeira Guapyassú Câmara / Danielle Paes Branco

Comentários

0 Comentários
Feedbacks
Veja todos os comentários

Parceiros

Neurostudent
infosPharma
Aprender Educacional