HomeNeurociênciaO que está envolvido na ativação das células?

O que está envolvido na ativação das células?

19 de agosto de 2022

Resenha do artigo “Origem dos potenciais elétricos das células nervosas” de Jorge A. Quillfeldt (2005).

Há um mundo, cheio de vida, tão pequeno que mal tomamos conhecimento dele. Sua existência é sinônima da nossa própria existência e, toda a maquinaria de que dispõe para realizar seu trabalho, produz uma infinita e complexa beleza: comportamentos, sentimentos, imagens, sons, sensações, dentre outras possibilidades. As células nervosas, sozinhas ou através de suas populações, são estudadas cada vez mais para se entender as manifestações e distorções comportamentais dos seres. E, dada a importância que têm esses conhecimentos para a clínica, Jorge A. Quillfeldt (2005) aborda paulatinamente o assunto

Esplendidamente, o autor delineia cada parte da constituição das células e suas atribuições, além de evidenciarem a maneira como atuam por meio de diferentes atividades a nível celular, sejam elas químicas, elétricas, mecânicas, térmica e/ou bioluminescência para alguns seres. Ele explica que a ativação das células ocorre mediante uma determinada corrente elétrica transmembrana, ou seja, um potencial de ação com abertura de canais iônicos. Mediante isso, esclarecem-se as diferentes células nos organismos como não excitáveis e as excitáveis. Essas últimas são os neurônios, os miócitos e as células endócrinas.

Clarifica-se que o trabalho realizado pelas células mediante sua excitação é configurada através do fluxo de corrente elétrica. Importa, então, diferenciar o potencial elétrico de corrente elétrica, onde o primeiro está para Volts enquanto que o segundo se mede em Ampéres. Nas células, um elemento essencial que interfere nos seus fenômenos é a água, e que preenche todo o espaço intracelular e extracelular. A partir disso, eles elucidam seus aspectos, propriedades e atuação, objetivando a explanação completa desse ambiente molecular aquoso.

Não menos importante, eles destacam as atividades dos lipídios e das proteínas para detalhar, posteriormente, a constituição e função da membrana celular. Isso se verifica em razão de a membrana celular se apresentar a grande maioria dos eventos potenciais como fundamento. Todos esses fatores, e muitos outros mencionados no artigo, são colocados em uma ordem do geral para o específico, visando facilitar a assimilação sobre o potencial elétrico das células nervosas, não somente o potencial de ação, mas também o potencial de repouso e o eletrotônico ou sináptico.

As peculiaridades do potencial de ação abarcam todo o esquema da membrana e seu transporte de íons por canais específicos, demonstrando um cenário complexo e diferente do que ocorre nas células não excitáveis. Valem ressaltar que esse evento manifesta tanto um aspecto de variação potencial quanto de uma condutância iônica entre os dois meios da célula. E é cabível mencionar a diferenciação que os autores fazem do potencial de ação para o potencial eletrotônico ou potencial sináptico, pois os dois estão envolvidos nesse intricado ambiente de codificação, sintetização e propagação de informações.

O potencial de ação é aquele que se apresenta de uma vez por todas, ou seja, “tudo ou nada”, não havendo variações em sua amplitude, o contrário do que se vê nos potenciais eletrotônicos que podem variar e, com isso, somarem-se uns aos outros para disparar ou não o potencial de ação. Mediante isso, a origem dos potenciais elétricos das células nervosas se constata numa dança entre os muitos fatores celulares e intercelulares, pois um neurônio, por exemplo, relaciona-se com muitos outros neurônios, surgindo o potencial, da abertura e fechamento de canais iônicos, de sua duração, das variações gradientes e outros eventos.

Por ser um esquema de alta complexidade o estudo de apenas uma célula para inferir constructos utilizáveis na clínica, os potencias de campo ou potenciais elétricos em massa são de grande valia, pois a relação da ativação de um conjunto de neurônios se apresenta mais propício que apenas de um só. E isso se verifica nas tecnologias disponíveis atualmente, como o Eletroencefalograma (EEG), Eletrocorticograma (ECoG), Eletrograma, Estereoeletroencefalograma (EEEG), e outros, onde usam dessa campo para correlacionar padrões comportamentais aos sistemas ou subsistemas do Sistema Nervoso Central.

Dessa forma, mesmo que o artigo “Origem dos potenciais elétricos das células nervosas” aborde um assunto profundo, ele contempla figuras e tabelas com o fim de facilitar seu entendimento, pois há uma conexão de conhecimentos para além da fisiologia, como a física e química. Portanto, a leitura se volta para acadêmicos da área da saúde e medicina, principalmente, mas abrangendo esse público a outros por mencionar os aspectos do potencial elétrico sucintamente.

Definindo Conceitos Importantes

Potencial de ação: É uma breve alteração no potencial da membrana, composto pelas fases de despolarização e repolarização e que tem características muito peculiares.

Canais iônicos: A maioria das proteínas-canal deixa passar apenas íons inorgânicos [e] A função da maioria desses canais é simplesmente tornar a membrana transitoriamente permeável a íon selecionado.

Membrana celular: É uma estrutura semipermeável que funciona como um filtro que seleciona, dentre todo o conteúdo do meio externo, os elementos necessários ao metabolismo.

Potencial de repouso: É a diferença de potencial medida através da membrana durante o repouso […] Assim, o equilíbrio da membrana depende de um potencial eletroquímico nulo e o potencial de repouso resulta dessa condição.

Potencial eletrotônico: Consiste no aparecimento de uma pronunciada e prolongada potenciação do potencial pós-sináptico excitatório [que aumenta] a probabilidade de um neurônio pós-sináptico disparar com uma estimulação subsequente.

Referências Bibliográficas

CORTEZ, Célia Martins; SILVA, Dilson. Fisiologia aplicada à psicologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

QUILLFELDT, Jorge A. Origem dos potenciais elétricos das células nervosas. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00221-009-2002-3

Ficha Técnica

Texto da resenha: Ramon Santiago do Nascimento

Edição e revisão técnica: Luã Teixeira Guapyassú Câmara / Danielle Paes Branco

Comentários

0 Comentários
Feedbacks
Veja todos os comentários

Parceiros

Neurostudent
infosPharma
Aprender Educacional