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Você sabe o que é Otosclerose?

20 de agosto de 2021

Resenha do artigo: Otospongiose: Implicações Audiológicas de Ameliana Silva Carneiro, Márcio Augusto Corrêa Barile e Tatiane Almeida de Freitas (2017)

Você sabe o que é Otosclerose/ Otospongiose? Muitos irão responder, não! A otosclerose é uma patologia que inicialmente acomete a orelha média, causando perda auditiva condutiva. Para entendermos melhor essa patologia é preciso compreender a anatomofisiologia da audição.

A orelha é dividida em três partes: Orelha externa (Pavilhão auricular – Meato acústico externo), Orelha média (Membrana Timpânica, Cadeia ossicular e a Tuba auditiva) orelha interna (a cóclea, canais semicirculares e o nervo vestíbulo coclear).

Agora, você sabe como acontece o processo de condução do som na orelha? Não? Pois, então, todo processo complexo da audição começa na orelha externa com a captação de ondas sonoras pelo pavilhão auricular, a condução pelo meato acústico externo chegando a membrana timpânica causando vibração (aumento de mobilidade). A transdução mecânica desse estímulo é conduzida através da cadeia de ossículos (Bigorna – Estribo – Martelo) até o seu limite medial, a janela oval, onde entrará em contato com a orelha interna.

O artigo “Otospongiose: Implicações Audiológicas” trata sobre o que é a otosclerose, seus sintomas, achados clínicos e audiológicos.

Na otosclerose há formação de focos de rarefação óssea, isso significa que há um crescimento anormal de tecido ósseo endurecido. Esse crescimento ósseo enrijece a cadeia ossicular, mais especificamente a base do estribo, limitando a movimentação e causando uma vibração inadequada e consequentemente um déficit na transmissão sonora para o interior da cóclea (Orelha interna). A evolução desse enrijecimento agrava ainda mais a audição causando uma hipoacusia de condução.

A etiopatologia, ou seja, o mecanismo de ação do agente patogênico da otosclerose ainda não está totalmente definido. Vários estudos cogitam hipóteses, que podem ser: por fatores hormonais, endócrinos, imunitários, infecção viral ocasionando alteração do metabolismo ósseo.

As premissas são buscadas em autores diferentes. Com elas, busca-se elucidar as principais características funcionais, estruturais e faixa etária acometida. Geralmente a otosclerose é bilateral e acomete jovens entre 20 e 30 anos em sua maioria mulheres da raça branca, e o risco é ainda maior na gravidez. Os sintomas são progressivos incluindo: Zumbido, vertigem, dificuldades no equilíbrio, membrana timpânica íntegra, ausência de problemas otológicos anteriores, destaca – se como principal a perda auditiva progressiva.

Para chegar a um diagnóstico antes é necessário checar se a causa da perda auditiva não está ligada ao colabamento do meato acústico externo ou acúmulo de cerúmen obstruindo o conduto. Após essa checagem, pode-se através de uma história familiar bem analisada e exames como audiometria, impedanciometria e tomografia chegar a um diagnóstico. Esses achados ajudarão saber como conduzir o tratamento e qual o tipo e o grau da otosclerose, podendo ser classificada em sua primeira fase como alteração do tipo condutiva por ser uma patologia que acomete a orelha média dificultando a transdução mecânica do som até a cóclea. A segunda fase é denominada mista (quando acomete tanto orelha média quanto orelha interna) e a terceira fase neurosensorial. Na fase neurossensorial a lesão acomete a cóclea, nervo auditivo ou as vias percorridas até o Sistema nervoso central.

A cóclea é um órgão sensorial responsável pela audição. Em seu interior há líquido e células sensoriais responsáveis pela estimulação hidromecânica que levará as vibrações do som até o nervo auditivo. Quando esses impulsos chegam ao nervo auditivo são transformados em estímulos elétricos para as fibras neurais que conduzirá a energia elétrica para os SNC (sistema nervoso central). Na fase neurosensorial da otosclerose, temos o comprometimento das células ciliadas da cóclea, pois não conseguem transmitir as vibrações sonoras até o nervo auditivo, causando a surdez.

Ainda não existe cura para a otosclerose. Por isso é muito importante o diagnóstico, dessa forma pode-se planejar o melhor procedimento. O tratamento pode ser feito de três formas: Através da estapedectomia (cirurgia que envolve a remoção do estribo substituindo por uma prótese de platina), por medicação e uso de aparelho auditivo. A estapedectomia é indicada como o principal tratamento da doença.

A palavra-chave é a perda auditiva progressiva. A falta de mobilidade dos ossículos da audição leva aos sintomas supracitados, causando uma perda auditiva progressiva. Segundo o autor, “O início desta perda é insidioso, sendo lentamente progressiva e na maioria dos casos é do tipo condutiva. Muitos casos mostram comprometimento neurossensorial significativo devido a própria fisiopatologia da doença que se agrava pelo efeito mecânico na condução óssea. ”. A conclusão ainda é incerta, pois, ainda não existe cura para a otosclerose. Por isso é muito importante o diagnóstico, dessa forma pode-se planejar o melhor procedimento.

Portanto, faz–se necessário diante de qualquer sintoma referente a audição a avalição de um otorrinolaringologista e um acompanhamento fonoaudiológico, evitando a evolução da patologia. O quanto antes obter um diagnóstico, mais fácil será a condução do tratamento.

DEFININDO CONCEITOS IMPORTANTES:

  • Anatomofisiologia: Interação dos conhecimentos de Anatomia humana e Fisiologia Humana dos diversos sistemas do corpo.
  • Pavilhão auricular: É o apêndice situado lateralmente a cabeça.
  • Meato acústico externo: estrutura que compõe a orelha externa, responsável por conduzir as ondas sonoras até a membrana timpânica.
  • Membrana timpânica: Membrana em formato de cone que separa a orelha externa e média.
  • Bilateral: Dois lados.
  • Neurosensorial: Que é relativo aos nervos que levam impulsos de um órgão sensorial até ao cérebro ou a medula espinhal.
  • Imitanciometria: Método utilizado para avaliar a mobilidade da membrana timpânica e das condições funcionais da orelha média.
  • Audiometria: Método utilizado para avaliar a audição e a capacidade do paciente em interpreta – los.

Referências Bibliográficas

Carneiro, Ameliana Silva; Barile, Márcio Augusto Corrêa; De Freitas, Tatiane Almeida. Otospongiose: Implicações Audiológicas. Ed disciplinas Usp, 2017.
Disponível: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5176113/mod_resource/content/1/implicac%CC%A7oes%20audiologicas_otosclerose-1.pdf
Acesso: 09/04/2021

Conselhos Federal e Regionais de Fonoaudiologia. Audiometria tonal, Logoaudiometria e Medidas de Imitância acústica, Orientações dos Conselhos de Fonoaudiologia para o Laudo Audiológico, 2009.
Disponível: https://www.fonoaudiologia.org.br/publicacoes/eplaudoaudio.pdf
Acesso: 07/04/2021

Filho, O. L.; Campiotto, A. R.; Levy, C.C.A.D. C.; Redond. Novo Tratado de Fonoaudiologia. Editora Manole, 2013.

Fuller, D. R; Pimentel, J. T; Peregoy, B. M. Anatomia e Fisiologia Aplicadas à Fonoaudiologia. Editora Manole, 2014.

Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia e Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.
Guia de Orientações na Avaliação Audiológica Básica, Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia, 2017.
Disponível: http://www.crefono4.org.br/cms/files/Anexos/manualdeaudiologia.pdf
Acesso: 07/04/2021

Ficha Técnica

Texto da resenha: Luciane Martins

Edição e revisão técnica: Danielle Paes Branco

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