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Psicofármacos no transtorno do espectro autista

19 de agosto de 2022

Resenha crítica do artigo “Os benefícios do uso de psicofármacos no tratamento de indivíduos com transtorno do espectro autista (TEA): revisão bibliográfica”, escrito por Gabrielle Costa e Clézio Abreu e publicado no ano de 2021

O presente artigo traz a revisão de 16 artigos acadêmicos achados no banco de dados do Scielo, CAPEs e LILACs, publicados nos últimos cinco anos que tem como assunto o tratamento com psicofármacos, o TEA e assuntos em relação ao título do artigo usado para essa resenha. O qual foi escrito por Gabrielle Costa e Clézio Abreu, emitido no ano de 2020 e publicado em 2021, tendo como foco principal falar sobre os benefícios dos medicamentos no tratamento do autismo.

Ao longo do texto, é possível perceber que o foco principal foi desviado já que no Brasil não existem dados científicos suficientes ou sequer básicos para entender esses benefícios procurados no estudo feito pelos autores. Os dados existem, mas não no Brasil, o que faz deles menos eficazes para o tratamento aqui, já que o diagnóstico do autismo envolve questões sociais e ambientais além das biológicas e fisiológicas.

Além de que aprovados pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para o uso no tratamento, temos somente dois medicamentos, a Risperidona e a Periciazina, a variabilidade medicamentosa é baixa para o entendimento de que o tratamento farmacológico no transtorno do espectro autista é encaixado de forma individual, relacionado com os sinais e características de cada paciente.

O artigo apresenta um quadro com os resultados adquiridos da leitura e estudo dos 16 artigos escolhidos, e demonstra então vários pontos sobre o uso dos medicamentos. É falado, por exemplo, sobre um tópico já discutido na área da medicina que é a utilização de psicofármacos na infância, os efeitos colaterais causados pelo uso de certos medicamentos e que neurolépticos ou antipsicóticos é a categoria de remédios mais receitada por médicos para o tratamento, e os fármacos mais prescritos como Haloperidol e Risperidona e entre outros conhecimentos acerca do assunto.

Quadro relativamente afetado pelas questões ditas anteriormente e como colocado pelos autores que “não há pesquisas oficiais de contabilizar os autistas no país”, então existe, além de tudo, um agravante que é não sabermos quantos no Brasil podem ter o TEA, ou os que já são diagnosticados, já que a notificação é baixa pois o diagnóstico ainda está sendo desenvolvido com o passar dos anos. O que justifica a significante alta nos casos de autismo e na busca por mais pesquisas, as recentes descobertas da ciência em prol do transtorno.

O artigo teve como justificativa ser uma contribuição para a discussão sobre também a qualidade de vida dos diagnosticados, além dos benefícios adquiridos a partir da terapia medicamentosa. Resultando em um grande alerta para a comunidade acadêmica, mostrando como o assunto está escasso em pesquisas e estudos e precisa de imediato que essas pesquisas sejam feitas, estudos sejam desenvolvidos e que esses dados não estejam mais em falta.

Sendo assim, os autores concluem dessa forma, levantado a importância de estudar sobre o benefício dos fármacos no tratamento do TEA e quais são esses fármacos que podem ser utilizados levando em consideração a individualidade de cada diagnóstico, tentando oferecer então opções de fármacos diferenciados que possam atender a maioria dos pacientes, abrangendo características do transtorno como a agressividade, irritabilidade e outras.

Definindo Conceitos Importantes

Psicofarmacologia: “substâncias medicamentosas ou recreacionais que atuam no sistema nervoso central e podem influenciar o estado psíquico do paciente ou usuário (…) têm o potencial de alterar comportamento, humor, cognição e etc” (HERRMANN, PIATO, LINCK, 2021)

Risperidona: “é o antipsicótico atípico de nova geração mais utilizado na atualidade” (BARCELOS, 2014).

Periciazina: é um neuroléptico (BRITO, 2005)

Antipsicóticos/neurolépticos: “possuem uma ampla gama de mecanismos de ação um desses mecanismos seria a ação nos receptores de tipo D1 e D4 (receptores dopaminérgicos), que têm expressão maior em regiões límbicas e frontocorticais, sendo um fraco bloqueador de receptores D2 (o que explica a ausência dos efeitos extrapiramidais); outro possível mecanismo seria o bloqueio balanceado de uma combinação de sistemas de neurotransmissão, ou seja, agem concomitantemente sistemas serotoninérgicos (5HT) e dopaminérgicos (D)” (MONIZ et al 2004 apud CÓRDAS 1999

Haloperidol: antipsicótico de depósito (ELIK, LOUZÃ, 2007).

Referências Bibliográficas

BARCELOS, A. C; et al. Efeitos cardiotóxicos resultantes da interação da risperidona com diuréticos tiazídicos. Jornal Brasileiro de Psiquiatria [online]. v. 63, n. 4, pp. 379-383, 2014. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/0047-2085000000048 >.

BRITO, J. C. F; et al. Doença de Wilson: diagnóstico clínico e sinais das “faces do panda” à ressonância magnética. Relato de caso. Arquivos de Neuro-Psiquiatria [online]. v. 63, n. 1, pp. 176-179, 2005. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/S0004-282X2005000100034 >. 

COSTA, G; ABREU, C. Os benefícios do uso de psicofármacos no tratamento de indivíduos com transtorno do espectro autista (TEA): revisão bibliográfica. Revista JRG de estudos acadêmicos. Ano IV, v. 4, n. 8, 2021.  Disponível em: < https://zenodo.org/record/4637757#.YsS70ezML-Y >. 

ELKIS, H; LOUZÃ, M. R. Novos antipsicóticos para o tratamento da esquizofrenia. São Paulo: Archives of Clinical Psychiatry. v. 34, suppl 2, pp. 193-197, 2007. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/S0101-60832007000800009 >.

HERRMANN, A. P.; PIATO, A.; LINCK, V. Descomplicando a psicofarmacologia: psicofarmacos de uso clínico e recreacional. São Paulo: Blucher, 2021.

MONIZ, A; et al. O que são os antipsicóticos? Revista das Faculdades de Educação, Ciências e Letras e Psicologia Padre Anchieta. Ano VI, n. 12, p. 133-136, 2004. Disponível em: < https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5&q=antipsic%C3%B3ticos+e+neurol%C3%A9pticos&btnG=&oq=antipsicotico#:~:text=O%20QUE%20S%C3%83O%20ANTIPSIC%C3%93TICOS%3F >

Ficha Técnica

Texto da resenha: Luisa Blanc

Edição e revisão técnica: Luã Teixeira Guapyassú Câmara / Danielle Paes Branco

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