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Neurociências e Educação

19 de agosto de 2022

Resenha do livro Neurociências e Educação da Regina Migliori. Editora Brasil Sustentável, 2013.

O sistema nervoso humano é sondado em diferentes níveis, ou seja, desde as moléculas que apontam as funcionalidades de cada neurônio até os extensos sistemas no encéfalo, nos quais são responsáveis para o desenvolvimento dos processos da cognição e do comportamento.

Nesta perspectiva, o livro “Neurociências e Educação” visa mostrar como o cérebro e os comportamentos do sistema nervoso são complementares, demonstrando o processo do aprender e ensinar, a aprendizagem e a memória, sistemas e funções cognitivo-executivas, como também, as emoções e suas interações. O público-alvo deste são os educadores de uma maneira geral. E para isso, o livro é bem organizado, didático, com diversas ilustrações e com uma linguagem clara.

O livro é composto por 6 capítulos, com uma pequena introdução discorrendo acerca das Neurociências e a Educação. O primeiro capítulo, descreve o que são as neurociências, qual o seu papel e a interação do campo interdisciplinar, ou seja, os ramos das neurociências e suas respectivas funções. É importante ressaltar que nesse capítulo, há um dado incorreto, no qual descreve que o cérebro humano tem 100 bilhões de neurônios. Os neurocientistas brasileiros, Dr. Roberto Lent e a Dra. Suzana Herculano, em 2009, após discussões intensas e estudos aprofundados, descobriram através da técnica denominada “fracionador isotrópico”, elaborada pela professora Herculano, que o encéfalo humano tem aproximadamente 86 milhões de neurônios.

Os capítulos II e III, abordam toda a estrutura do sistema nervoso, traçando didaticamente todas as suas respectivas áreas e funções, caracterizando todo o processo neuroquímico e elétrico dos neurônios nos quais estão relacionados com o processo de informação e finalizando o capítulo, com a história de dois neurocientistas, que compartilharam o Prêmio Nobel em 1906, pela caracterização de células neuronais, sendo eles, Camilo Golgi e Santiago Ramón y Cajal.

No capítulo IV, a autora discorre acerca da ligação das neurociências com o processo de aprendizagem, enfatizando um fenômeno relevante neste processo, que é a plasticidade neuronal ou neuroplasticidade, no qual é a capacidade de (re)organização estrutural e funcional do sistema nervoso em respostas aos diferentes estímulos ambientais, além disso, sendo também responsável no processo de aprendizado e memória. Com uma provocação a autora nos faz refletir se as experiências de um sujeito ao longo de sua vida podem ocasionar alterações duradouras nas sinapses. Há várias formas de plasticidade e nesse capítulo, para responder a essa questão, ela apresenta e destaca as cinco formas de plasticidade, as quais são: a neurogênese, a neuroplasticidade do desenvolvimento, a neuroplasticidade após lesão cerebral, a neuroplasticidade decorrente das experiências de vida e a neuroplasticidade intencional.

Nesse mesmo capítulo, a autora apresenta o processo de aprendizagem, baseando-se nos conhecimentos neurocientíficos, ressaltando a relevância da estreita ligação entre a memória e a aprendizagem. E nesse foco, a autora apresenta os tipos de aprendizagem, os tipos de memória, bases neurológicas da linguagem e escrita, finalizando o capítulo, de forma sucinta, com a diferença entre os distúrbios, transtornos e dificuldades de aprendizagem.

O capítulo 5, trata das funções executivas e dos processos cognitivos, mostrando a importância de os educadores saberem acerca dessas funções, utilizando estratégias pedagógicas que visam fomentar os mais variados sistemas de memória e proporcionando na criança o desenvolvimento de funções executivas elementares e avançadas. Nesse capítulo, a autora traz o conceito da “Meditação Mindfulness” e suas influências positivas no processamento mental do indivíduo, como por exemplo, o melhoramento dos níveis de atenção e aprendizagem, o equilíbrio subjetivo, dentre outros.

Por fim, o capítulo 6, discorre acerca da neurobiologia das emoções, explicando de forma didática o sistema límbico e suas respectivas regiões importantes relacionadas com as emoções, no qual um dos pioneiros a identificar a conexão das emoções com as expressões faciais e os comportamentos, foi Charles Darwin.

Levando-se em consideração as questões abordadas, essa obra traz conteúdos complexos de forma simples e didática, ao mesmo tempo com seriedade. O livro apresenta conceitos neurocientíficos ligados a educação, onde estes, podem influenciar positivamente a prática pedagógica do educador, possibilitando assim uma melhora no processo de ensino-aprendizagem.

Referências

Bear, M; Connors, B; Paradiso, M. Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso. Editora Artmed; Porto Alegre, 2017.

Bueno, B; Ribeiro, L. A educação do campo e a interdisciplinaridade: desafios e possibilidades. Revista do Centro de Ciências Naturais e Exatas – UFSM; Santa Maria, 2015

Lent, R. Cem Bilhões de Neurônios. Conceito Fundamentais de Neurociências. Editora Atheneu; São Paulo, 2010.

Souza, A.C.A; Vandenberghe, L. Mindfulness nas terapias cognitivas e comportamentais. Rev. bras.ter. cogn. v.2 n.1 Rio de Janeiro junho; 2006

Ficha Técnica

Texto da resenha: Luã Teixeira Guapyassú Câmara (Pedagogo, Pós-graduado em Neuropsicopedagogia Clínica e Reabilitação Cognitiva e atualmente é mestrando do programa de pós-graduação em Ensino em Biociências e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz. E-mail: luateixeira10@gmail.com

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